O que é a hidrosadenite supurativa?
A hidrosadenite supurativa (HS) é uma doença inflamatória crônica da pele que afeta as glândulas sudoríparas apócrinas, principalmente nas regiões de dobras cutâneas como axilas, virilhas, períneo e região submamária. A condição se manifesta com nódulos dolorosos, abscessos recorrentes, fístulas e cicatrizes, comprometendo significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
Estima-se que a hidrosadenite supurativa afete cerca de 1% a 4% da população mundial, com maior prevalência entre mulheres jovens. Apesar de frequente, a doença é subdiagnosticada e muitos pacientes levam anos sem o diagnóstico correto. A abordagem integrativa entre nutrologia e dermatologia oferece os melhores resultados no controle da condição.
5 fatores nutricionais que influenciam a hidrosadenite supurativa
1. Obesidade e resistência à insulina
A obesidade é o principal fator de risco modificável da hidrosadenite supurativa. O excesso de tecido adiposo aumenta o atrito nas dobras cutâneas, eleva os níveis de inflamação sistêmica e promove resistência à insulina — um mecanismo que contribui diretamente para a severidade da doença. A resistência à insulina e suas manifestações na pele é um tema relevante para compreender a patogênese da HS.
2. Dieta rica em açúcares e laticínios
Alimentos com alto índice glicêmico e laticínios têm sido associados à piora da hidrosadenite supurativa em estudos clínicos. O consumo elevado de açúcares simples eleva a insulina e o IGF-1 (fator de crescimento insulínico), hormônios que estimulam a produção de sebo e amplificam a inflamação folicular. A restrição de laticínios mostrou melhora clínica em alguns pacientes.
3. Deficiências de vitamina D e zinco
Deficiências de vitamina D e zinco são encontradas com frequência em pacientes com hidrosadenite supurativa. Ambos os nutrientes têm papel importante na regulação da resposta imune e na modulação da inflamação. A correção dessas deficiências pode contribuir para a redução da frequência e intensidade das crises inflamatórias.
4. Inflamação sistêmica e microbioma
A disbiose intestinal contribui para o estado inflamatório sistêmico que caracteriza a hidrosadenite supurativa. A integridade da barreira intestinal e o equilíbrio do microbioma influenciam diretamente a intensidade da inflamação na pele. A disbiose intestinal e seus efeitos na saúde da pele é um tema central no manejo nutricional da HS.
5. Tabagismo e alimentação pró-inflamatória
O tabagismo é um dos principais fatores agravantes da hidrosadenite supurativa, presente em 70% a 90% dos pacientes afetados. Além do tabaco, uma dieta rica em alimentos ultraprocessados, gorduras trans e açúcares refinados aumenta a inflamação sistêmica e piora o quadro clínico. A alimentação anti-inflamatória é uma das estratégias mais importantes no manejo nutricional da HS.
Classificação de Hurley: gravidade da doença
A hidrosadenite supurativa é classificada em três estágios conforme a escala de Hurley. No Estágio I, há formação de abscessos simples ou múltiplos sem fístulas ou cicatrizes. No Estágio II, ocorrem abscessos recorrentes com formação de fístulas e cicatrizes. O Estágio III, o mais grave, caracteriza-se por comprometimento difuso ou praticamente generalizado com múltiplas fístulas interconectadas.
Tratamento dermatológico da hidrosadenite supurativa
O tratamento dermatológico varia conforme a gravidade. Nos casos leves (Hurley I), antibióticos tópicos como clindamicina são primeira linha, associados a medidas de higiene e cuidados locais. Nos casos moderados (Hurley II), antibióticos sistêmicos, retinoides e intralesionais de corticoides são indicados.
Para os casos graves (Hurley III), os imunobiológicos revolucionaram o tratamento. O adalimumabe (anti-TNF) é o único aprovado especificamente para a hidrosadenite supurativa, com redução significativa da atividade da doença em estudos clínicos. O secukinumabe (anti-IL-17) e outros biológicos também têm mostrado eficácia. A cirurgia para remoção de áreas afetadas é indicada em casos selecionados. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o diagnóstico precoce é essencial para evitar progressão da doença.
Abordagem nutrológica e estilo de vida
A nutrologia é parte integrante do tratamento da hidrosadenite supurativa, especialmente na identificação e correção dos fatores nutricionais agravantes. A perda de peso, quando indicada, é uma das intervenções mais impactantes para a redução da severidade da doença — com estudos mostrando melhora clínica significativa após redução de 15% ou mais do peso corporal.
O nutrólogo elabora um plano alimentar personalizado com restrição de alimentos inflamatórios, otimização do aporte de antioxidantes e correção das deficiências identificadas nos exames. A suplementação de zinco, vitamina D, ômega-3 e probióticos pode complementar o tratamento conforme a avaliação individual.
Cuidados locais e qualidade de vida
Além do tratamento médico, alguns cuidados locais ajudam a controlar a hidrosadenite supurativa: usar roupas folgadas e de tecidos naturais para reduzir o atrito; evitar depilação com lâmina nas áreas afetadas; preferir antitranspirantes sem alumínio; manter a higiene das dobras cutâneas sem exageros; e cessar o tabagismo, uma medida com impacto direto e comprovado na melhora da doença.
Tratamento integrativo na clínica da Dra. Leires Ferreira
Na clínica da Dra. Leires Ferreira, os pacientes com hidrosadenite supurativa recebem cuidado especializado e humanizado, com avaliação completa das condições clínicas, nutricionais e dermatológicas. O tratamento é personalizado e contempla as intervenções médicas mais atuais com suporte nutricional individualizado. Agende sua consulta e recupere a qualidade de vida com um tratamento eficaz e integrativo.